9oZoKxOA clipping – Fioito https://fioito.com.br Thu, 18 Nov 2021 17:59:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://fioito.com.br/wp-content/uploads/2020/11/icon-100x100.png clipping – Fioito https://fioito.com.br 32 32 Great Panther fecha oferta de US$ 23 milhões https://fioito.com.br/great-panther-fecha-oferta-de-us-23-milhoes/ Thu, 18 Nov 2021 17:59:52 +0000 https://fioito.com.br/?p=7502 Fonte: Brasil Mineral   |   Data: 17/11/2021 (leia na íntegra)

A Great Panther Mining Limited fechou oferta pública subscrita anteriormente anunciada de 88.461.538 ações ordinárias no capital da companhia, incluindo o exercício total pelos subscritores da opção de compra de 11.538.461 ações ordinárias adicionais, a um preço de US$ 0,26 por ação, menos descontos de subscrição e comissões, com receitas brutas agregadas de aproximadamente US$ 23 milhões. A HC Wainwright & Co. atuou como único gerente administrativo da oferta e representante de um sindicato de subscritores, enquanto a Cormark Securities Inc. e a Roth Capital Partners atuaram como co-gerentes da oferta. A Great Panther pagou aos subscritores uma comissão em dinheiro igual a 6,0% dos rendimentos brutos da oferta.

A companhia pretende usar os recursos líquidos da oferta para programas de desenvolvimento e exploração de mina subterrânea em Tucano, para manutenção de seu capital de giro e para fins corporativos em geral.

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Demanda aquecida por commodities gera benefícios e desafios ao Brasil https://fioito.com.br/demanda-aquecida-por-commodities-gera-beneficios-e-desafios-ao-brasil/ Tue, 16 Nov 2021 21:21:59 +0000 https://fioito.com.br/?p=7499 Quase 70% das exportações brasileiras em setembro foram de algum tipo de commodity, com destaque para soja, petróleo e minério de ferro.

Fonte: CNNBrasil   |   Por: João Pedro Malar

Data: 15/11/2021 (leia na íntegra)

Os dados de setembro do Índice de Comércio Exterior (ICOMEX) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) reforçaram uma tendência de anos: o aumento da participação de commodities nas exportações do Brasil. Naquele mês, 69,7% de todas as exportações foram de produtos ligados às commodities.

O valor foi o maior na série histórica do índice, que começou em 1998, com soja, petróleo e minério de ferro sendo responsáveis por mais de 40% das exportações. Para especialistas, o cenário reflete uma demanda global de alta e traz benefícios para o Brasil.

Entretanto, também gera desafios. O primeiro é lidar com a crescente perda de espaço da indústria de transformação. Além disso, questões ambientais e uma dependência da China, grande importadora de commodities, são riscos para a economia brasileira.

O caminho até os 70%

A expansão das commodities nas exportações do Brasil está ligada tanto a fatores de curto como de longo prazo. Pensando apenas no ano de 2021, a retomada econômica com recuperação após a pandemia gerou um grande aumento na demanda por esses produtos.

“Há um crescimento mundial na demanda, e ela sempre anda na frente da oferta. A produção de soja, por exemplo, cresceu no Brasil, mas também no Canadá, Estados Unidos, Rússia, exatamente pela demanda mundial”, afirma Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (ABAG).

Outra commodity de peso na pauta exportadora brasileira, o minério de ferro, também refletiu essa demanda. Segundo Flávio Penido, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), as exportações do minério já são 110% maiores em relação ao mesmo período de 2020, totalizando US$ 36,5 bilhões até 30 de setembro.

“A China atrai 60% das nossas exportações de minério, e foi afetada pela pandemia em um primeiro momento, reduziu a produção de aço, o que reduziu a importação de minério e o preço caiu”, diz.

Entretanto, quando o país tomou medidas para conter a pandemia e aquecer a economia, o cenário mudou, com a construção civil crescendo, a demanda por minério subindo e o preço aumentando.

Apesar disso, a China chegou a paralisar alguns fornos de produção de aço como parte de suas políticas de redução de poluição. Com isso, a demanda caiu e os preços têm sido ajustados. Do pico de US$ 220 por tonelada, a expectativa é que o preço médio em 2021 seja de US$ 160.

Exportação de minério de ferro foi beneficiada por alta recente no preço
Exportação de minério de ferro foi beneficiada por alta recente no preço / REUTERS/David Gray

“A demanda, seja de qualquer produto, tem que ser atendida pelo mercado, não pode guardar produtos, não oferecer ao mercado, tem que gerar emprego, ter impostos. A atividade econômica faz com que a economia gire. Isso se aplica a qualquer commodity, temos que atender”, considera Penido.

Já pensando em um período maior, a China também foi um fator essencial para essa expansão das commodities. “Desde a década de 1990, ela tem aumentado as exportação, o que demanda minérios, proteínas, soja, e isso repercutiu favoravelmente para o Brasil em termos de demanda”, diz Dante Mendes Aldrighi, professor da FEA-USP.

Luciano Nakabashi, professor da FEA-RP-USP, afirma que o desenvolvimento tecnológico também foi importante para a expansão do agronegócio no Brasil, em especial no Centro-Oeste. “Foi uma expansão bastante significativa, que envolveu plantar especialmente soja em regiões onde antes não era possível”.

O professor lembra que o Brasil também é um país com muita terra e recursos naturais, o que também se tornou uma vantagem competitiva.

As oportunidades

O crescimento da parcela das commodities na exportação liga-se aos superávits comerciais do Brasil, ou seja, o país exporta mais do que importa. O minério de ferro, por exemplo, é responsável por quase 50% do superávit, segundo o IBRAM.

“É importante exportar até para gerar divisas, há uma tendência de que a economia mundial se expanda, em especial nas relações comerciais entre países. Se exporta mais, pensando nas cadeias globais, mais nos inserimos nelas, e especializamos em partes delas”, afirma Nakabashi.

Para o professor, o cenário também permite importar mais, por exemplo, maquinário para a indústria, e aumenta a disponibilidade de produtos para a população. Desse modo, o país consegue compensar a falta de especialização em certas áreas.

Outra vantagem é que, quando um bem é exportado, o exportador traz o valor da venda de volta para o Brasil, e então é tributado. Ou seja, quanto maior o superávit comercial, melhor para a arrecadação.

Aldrighi considera que um governo poderia traçar políticas de investimento e desenvolvimento partindo dessa arrecadação maior, e investindo em áreas como educação e infraestrutura, mas nem sempre esse é o caso.

“É importante exportar porque se a economia fica baseada na exportação, a economia fica menos dependente da economia interna, pode expandir produção pela demanda mundial. O Brasil é voltado para si próprio, então o crescimento depende mais da renda dos brasileiros. O peso das exportações é baixo, cerca de 15% no PIB”, diz.

O presidente da ABAG considera que o Brasil também tem outra oportunidade importante pensando nas commodities: a de levar tecnologia e inovação para propriedades menores.

“O agronegócio exportador se concentra em cerca de 20,25% das propriedades, o resto ainda produz para o mercado local, com pequenos produtores. Eles estão longe do acesso à melhor tecnologia, semente, inovação e financiamento”, diz.

Com investimentos nesse sentido, o Brasil seria capaz de “transformar um desafio em oportunidade”, e inserir ainda mais quase 4 milhões de propriedades rurais na economia.

Ele afirma que a expectativa atual é de mudança nos modelos de produção de alimentos como forma de conter as mudanças climáticas, e será necessário acompanhar esse processo para se beneficiar.

Já em relação à mineração, o presidente do IBRAM afirma que a expectativa é de alta nas exportações nos próximos anos. “Existe toda uma tendência de usar minerais estratégicos para baterias, usar aços mais leves como lítio e nióbio. A perspectiva do Brasil é de ser um grande fornecedor desses materiais, domesticamente e no exterior”, diz.

Ele destaca que o solo brasileiro ainda é pouco conhecido, com apenas 4% da área total mapeada em relação a jazidas. Ao mesmo tempo em que é um agente limitador, a expansão desse conhecimento permitiria aumentar ainda mais as exportações brasileiras.

O ganho maior é pensando em geração de empregos, impostos e taxas. Isso tudo faz a economia girar. Falando em minérios em geral, podemos ver que os municípios mineradores tem um benefício com a mineração, pelos royalties. De cada 10, 7 tem um IDH superior ao do estado”, afirma.

Os desafios

Nakabashi considera que uma das principais desvantagens de uma dependência maior de commodities é a grande oscilação de preços, mais do que de produtos industrializados. “As exportações variam pelos preços. E quanto mais concentradas em poucos produtos, maior esse efeito, além de gerar uma dependência de poucos mercados consumidores, como a China”.

Além disso, a variação dos preços das commodities está ligada a um mercado global, ou seja, um acontecimento em outro país, como um evento climático reduzindo produção, afeta o preço em todos os países.

O professor também considera que, em geral, o agronegócio “espalha menos a riqueza” em momentos de alta nos preços das commodities em comparação a outros setores. A indústria de transformação, por exemplo, tem capacidade de gerar mais empregos se estiver em expansão.

Já o presidente da ABAG considera que não é um problema o Brasil ser um grande produtor e exportador de uma quantidade limitada de produtos, uma especialização comum entre países. O problema, segundo ele, é o fato de o país ainda não conseguir estruturar o uso de terra para diversificar ainda mais sua produção, aproveitando um potencial que já existe.

Ele também aponta que, apesar do agronegócio ser bastante associado com o desmatamento ilegal, os números mostram que a relação entre os dois tem caído, com o agro ocupando mais áreas de pasto.

“Desmatamento ilegal, como diz o nome, é uma questão de polícia, se é alto, envolve falha do Estado, da Justiça, em não coibir a criminalidade que patrocina essa criminalidade”, afirma.

Ele diz que “avançar em floresta é avançar em áreas que não são aptas para a agricultura, menos de 5% da agricultura brasileira vem da Amazônia. O desmatamento liga-se mais à pecuária”.

Mesmo assim, ele considera essencial uma política para conter o desmatamento ilegal, principalmente na Amazônia. Isso seria importante não apenas para melhorar a reputação do Brasil e evitar perda de mercado, mas também para regularizar os fluxos de chuva que surgem da Amazônia e vão para as principais áreas produtoras do país.

Brito afirma que as mudanças climáticas ainda são as maiores ameaças ao setor no curto e médio prazo, com um aumento em eventos extremos como secas e geadas que prejudicam a produção.

No setor de mineração, a preocupação ambiental também está presente. Flávio Penido afirma que “a mineração aqui sempre teve um cuidado em relação ao meio ambiente, e devido aos acontecimentos recentes, ela duplicou, triplicou”.

Segundo ele, as empresas do setor tem investido em formas de reduzir consumo de energia, consumir menos água, usar barragens menores e aumentar a inclusão de gênero e social. “Hoje não existe escolha entre adotar ou não o ESG, é uma questão que as empresas terão que adotar, até para sobreviver, já é algo demandado pelo setor financeiro”.

Ele aponta que o setor enfrenta como maior risco a dependência com a economia da China. Quedas na demanda do país, por exemplo devido à crise energética atual e seus efeitos na produção, impactam diretamente o setor e, por consequência, as exportações brasileiras. Outro caso recente foi a suspensão de importação de carne bovina.

“Fornecemos praticamente para o mundo inteiro, Japão, Europa, somos bastante competitivos, mas pelo gigantismo, a China é o maior”, diz o diretor do IBRAM.

 

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Agentes ligados ao setor mineral defendem que direitos minerários sejam usados como garantia para financiamento do setor https://fioito.com.br/agentes-ligados-ao-setor-mineral-defendem-que-direitos-minerarios-sejam-usados-como-garantia-para-financiamento-do-setor/ Thu, 11 Nov 2021 11:30:37 +0000 https://fioito.com.br/?p=7495 Fonte: Brasil61   |   Por: Felipe Moura

Data: 09/11/2021 (leia na íntegra)

Em audiência pública realizada na última sexta-feira (5), agentes ligados ao setor mineral criticaram a minuta (última versão) da Agência Nacional de Mineração (ANM) para a proposta de regulamentação das garantias para financiamento do segmento. O tema faz parte do Plano Lavra, que reúne uma série de medidas da ANM para estimular a mineração em meio à pandemia da Covid-19.

O objetivo do projeto em discussão é estabelecer quais os direitos minerários que as empresas do setor podem dar como garantia para conseguirem financiamento junto às instituições financeiras. Segundo a legislação, a União é a dona dos recursos minerais, como o ouro e o minério de ferro, por exemplo. No entanto, a administração pública concede os direitos minerários às empresas interessadas e que cumpram as exigências da lei.

Esses direitos incluem o alvará de autorização de pesquisa, a concessão de lavra, o licenciamento e a permissão de lavra garimpeira. A legislação atual afirma que a concessão de lavra pode ser oferecida como garantia financeira. Porém, o Decreto 9406/2018 diz que cabe à ANM estabelecer se os outros direitos (autorização de pesquisa, por exemplo) também podem ser usados como penhor para que uma empresa mineral consiga um empréstimo junto à uma instituição financeira.

É justamente isso que o órgão tenta normatizar por meio do projeto chamado “Garantia para fins de financiamento”, debatido na audiência pública. Responsável pela versão discutida no evento, a Procuradoria Federal Especializada (PFE) da ANM afirma que há limitações jurídicas para que mais direitos minerários sejam usados como garantia para obtenção de financiamento.

O principal obstáculo, segundo a PFE/ANM, é o parecer JT-05, da Advocacia-Geral da União (AGU), de 2009. O documento afirma que o Código de Mineração não prevê a possibilidade de oneração do alvará de pesquisa e que, se o legislador quisesse que o interessado onerasse o título, teria deixado claro, como ocorre com a concessão de lavra.

O gerente de Política Regulatória da ANM, Yuri Faria Pontual de Moraes, destacou que o parecer não é apenas um indicativo, mas tem força vinculante, o que significa que todos os órgãos da administração pública federal devem segui-lo.

“Desde fevereiro deste ano até meados de setembro foram feitas várias reuniões. Apesar das manifestações favoráveis à ampliação dos direitos minerários, do Conjur, do Ministério de Minas e Energia, e da PGFN, do Ministério da Economia, a Consultoria-Geral da União manteve o entendimento inalterado do parecer JT-05. Essa restrição jurídica foge da alçada da ANM. É um parecer de força vinculante e cabe a nós segui-lo.”

Na prática, a procuradoria da ANM entende que, diante do parecer da AGU, cabe ao Congresso Nacional analisar se os demais direitos minerários podem ser usados como garantia para financiamentos pelas empresas do setor.

Reação

O posicionamento da PGE/ANM gerou uma enxurrada de críticas dos representantes do setor. Pedro Garcia, especialista em direito contratual e coordenador da área de mineração do Veirano Advogados, disse que recebeu com “tristeza” a última versão da proposta. Segundo ele, o artigo 44 do Decreto 9.406, que determina que a ANM deve regular as hipóteses de oneração dos direitos minerários, continua sem definição.

O advogado destacou que o parecer JT-05 parte de uma ideia equivocada para impedir a ampliação dos direitos minerários como garantia financeira: a de que as autorizações de pesquisa não têm como ser medidas economicamente.  “Ninguém há de discordar nesta audiência que as autorizações de pesquisa são, sim, apreciáveis economicamente. Muito pelo contrário, são autorizações de pesquisas que, em geral, fazem parte do principal rol de ativos de uma empresa de pesquisa mineral”, defendeu.

Ainda segundo o especialista, a legislação assegura que esses direitos podem ser cedidos e transferidos. “Podem ser objetos de penhor direitos, suscetíveis de cessão. A autorização de pesquisa é um dos direitos suscetíveis de cessão e o artigo 1420 do Código Civil deixa expresso que quem pode alienar, transferir e ceder pode, também, oferecer em garantia”, afirmou. “Podemos estar perdendo uma grande oportunidade de fomentar o setor mineral, que precisa muito desse tipo de liberdade e os financiadores precisam ter a confiança de que a agência fomenta esse tipo de operação”, completou.

Luís Maurício Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) e representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também discorda da ANM. Em sua fala, ele disse que a ABPM e a CNI defendem, há mais de cinco anos, que todos os direitos minerários, não só os de lavra, possam ser usados como garantias.

“Apesar de aguardarmos há quase um ano a resolução prevista no artigo 44 [Decreto 9406/2018], infelizmente estamos todos frustrados. Essa não veio. Fomos surpreendidos com a negativa por parte da Procuradoria da ANM e da AGU. Só nos resta lamentar que tenha prevalecido o formalismo sobre a evolução e a eficiência”, pontuou.

Segundo Luís, a nova Lei de Liberdade Econômica estabelece que o agente regulador não pode interferir no contrato entre os entes privados. “Se o agente financeiro se predispõe a assinar um financiamento e averbar o contrato ao direito minerário, em qualquer das suas fases a garantia estará assegurada.”

Débitos

Outros participantes que estiveram na audiência defenderam que, além de servirem como garantia para financiamentos, os direitos minerários poderiam ser usados para regularização de débitos.

Foi o que argumentou Alberto Bruno Leopoldo, representante da Samarco. “A sugestão é que talvez a regulamentação, seja por meio dessa ou outra por parte da ANM, de utilização dos direitos minerários [sirva] não só como garantias para fins de financiamento, mas como forma de garantir também, nas situações de débitos, porque isso é uma forma de alavancar a atividade econômica da empresa”, disse.

Os interessados podem se manifestar a respeito da minuta da resolução até a próxima sexta-feira (12) por meio do site Participa ANM.

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Mineradora investe R$ 2,3 bilhões em extração “verde” de lítio no Brasil https://fioito.com.br/mineradora-investe-r-23-bilhoes-em-extracao-verde-de-litio-no-brasil/ Wed, 10 Nov 2021 16:59:40 +0000 https://fioito.com.br/?p=7491 A Sigma Lithium já investiu 560 milhões de reais no Vale do Jequitinhonha e quer trazer o Brasil para o centro da discussão sobre carros elétricos

Fonte: Exame | Por: Karina Souza
Data: 06/11/2021 (Leia na íntegra)

A corrida mundial por carros elétricos é um fato. No Brasil, o etanol ajuda a contribuir para uma mobilidade mais sustentável — o desafio é grande, mas a existência dos carros flex ajuda a consolidar essa posição diante dos preços atuais das baterias — mas outras regiões do mundo ainda não podem contar com essa alternativa. Especialmente América do Norte e Ásia. De olho nas necessidades para além do Brasil, a Sigma Mineração investiu na exploração de lítio no Brasil e hoje conta com clientes de peso no mercado automotivo, como Volkswagen, GM, Stellantis, Porsche e Audi.

Até agora, a companhia de origem canadense listada na Nasdaq já investiu R$ 560 milhões em uma planta para exploração de lítio com fins de aprovação regulatória do material coletado no local, tarefa que a companhia cumpriu ao longo de três anos. Agora, com as aprovações garantidas, a companhia anunciou investimento total de R$ 2,3 bilhões para aumentar o tamanho da planta atual, previstos para serem aplicados no país até 2023.

Até hoje, a Sigma já encontrou mais de 30 milhões de toneladas (confirmadas) de lítio de alta pureza em dois dos nove principais sites deles. Esse pode ser considerado um diferencial da companhia diante do setor, uma vez que as plantas de lítio podem demorar, em média, de cinco a oito anos para atingir a capacidade completa de exploração — ou seja, conseguir extrair toneladas e mais toneladas em menos de cinco anos já é um grande avanço.

Por enquanto, o principal objetivo é, claro, garantir o atendimento a todos os clientes. Atualmente, a empresa já tem contratos firmados com Volkswagen, GM, Stellantis, Porsche e Audi. Além de LG e Mitsui.

“O volume da primeira planta não é algo de ‘laboratório’. Investimos, inicialmente, o suficiente para ter uma área igual à do maior produtor de lítio do Brasil, que vende o minério para fabricantes de lubrificantes. Agora, vamos investir mais ainda para aumentar a área do que já temos em 20 vezes e garantir a escala comercial”, diz Ana Cabral-Gardner, co-presidente executiva da Sigma Lithium, à EXAME.

Questionada a respeito de demanda local para a oferta que a Sigma produz, Ana afirma que a necessidade do Brasil para o minério, falando especificamente de baterias, é bastante reduzida, uma vez que o país é líder mundial na produção de biocombustíveis, com destaque para o etanol, que está presente em mais de 88% da frota local. Um comportamento bastante diferente do apresentado nos EUA, em que 91% dos veículos utilizam combustíveis “sujos”, como gasolina e diesel.

Para se diferenciar em um ambiente de alta competição, que inclui concorrentes gigantes como as mineradoras Albermarle, Jiangxi Ganfeng Lithium Co (chinesa que oferece o componente para a Tesla) e Tianqi Lithium, que controla mais de 46% da produção global de lítio, a Sigma aposta em um fator cada vez mais valorizado por empresas e, inclusive, motivo de discussões globais como a COP26: ESG.

Falando de forma mais clara, a companhia, que tem um valor de mercado de aproximadamente 814 milhões de dólares, segundo a cotação desta sexta-feira, 5, investiu em uma “mineração verde” do lítio na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Na prática, a planta não utiliza nenhum componente químico para a purificação de lítio, consegue reutilizar cerca de 90% da água consumida no local e utiliza um método de empilhamento de rejeitos a seco — evitando, assim, o uso de barragens como as da Samarco, que romperam em Mariana e em Brumadinho.

Nas palavras de Ana, o que a mineradora faz é atuar como uma “cleantech”. Apesar de não usar nada exatamente inédito na própria operação — já que boas práticas como as citadas acima já existiam — a companhia afirma ter aperfeiçoado o que já era considerado bom para obter os resultados que teve. Para isso, investiu em digitalização, que reduz a interferência manual em todo o processo, gerando mais eficiência e dependendo menos da função do “operador de planta”, ou operador de processo mineral, para garantir que o processo de extração ocorra dentro das especificações exigidas.

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Quatro casamentos e um funeral https://fioito.com.br/quatro-casamentos-e-um-funeral/ Fri, 05 Nov 2021 13:41:06 +0000 https://fioito.com.br/?p=7488 Fonte: Brasil Mineral   |   Por: Milton Rego

Data: 04/11/2021 ( leia na íntegra)

Estamos a um ano da eleição do novo presidente e as apostas começam a esquentar.

Nos últimos tempos — e isso aconteceu no mundo inteiro —, as disputas eleitorais migraram do campo do debate político tradicional para o modo power. Turbinada pelas mídias sociais, o que deveria ser uma discussão de ideias virou luta de MMA sem juiz, um vale-tudo em que o objetivo é aniquilar o oponente. Nesse octógono de insensatez, quanto menos racional e mais engajado, melhor.

Juízos definitivos prosperam, não há meio termo. Presidentes foram bons ou péssimos. E, naturalmente, a política econômica do presidente péssimo também é péssima. Simples assim.

Será mesmo?

Considero fundamental para decidir o voto presidencial a discussão sobre as propostas econômicas dos candidatos — em especial os planos para o setor industrial que, infelizmente, vêm sendo colocados em segundo plano. O ideal é olhar as propostas sem preconceitos, mais ou menos como acontece no Casamento às Cegas, da Netflix, em que os pares dizem sim sem se ver, apenas com base naquilo que conversaram.

A economia deveria ser o fator mais importante para a escolha do próximo candidato porque, desde 2014, estamos metidos numa depressão, algo forte e mais extenso do que uma simples recessão. O PIB ainda não retornou ao seu valor de sete anos atrás. Isso é muito grave. Nessa toada, o efeito será a ruína de uma geração.

Portanto, é preciso escutar cuidadosamente o que cada candidato tem a dizer sobre o tema, esquadrinhar suas intenções, e optar pelo escolhido, como num casamento.

Eis aqui um roteiro do que acho que deve estar em discussão antes do “sim”:

1) O papel da indústria

Existe uma tentação (especialmente de uma parte dos comentaristas econômicos) de considerar que tudo se resolve por vantagens comparativas. O Brasil deve se dedicar somente àquilo em que já é competitivo e importar o resto. Dessa forma, a produtividade geral da economia aumentará.

É o típico raciocínio reducionista. Tal qual um Chile, seremos grandes exportadores de commodities (minério de ferro, carnes e grãos) e importaremos todo o resto. A questão é que commodities, em geral, e a incensada agropecuária exportadora, em particular, são atividades de capital intensivo e que geram poucos empregos.

Se quiser ter futuro, dar trabalho para mais de 120 milhões de almas economicamente ativas –– a população total do Chile soma pouco mais de 10 milhões de pessoas —, o Brasil não pode prescindir de uma indústria forte. O setor gera empregos de qualidade e de maior remuneração, propicia a inovação e a difunde pelo restante do ecossistema econômico. É a indústria que compra serviços de qualidade e sofisticação. O livre-comércio simplesmente não vai nos dar futuro.

É preciso dinamizar os setores portadores de futuro e desproteger a ineficiência. Tenha no radar um candidato cujo pensamento seja orientado para a transformação da indústria.

2) Abertura comercial

É consenso que o país necessita, com urgência, aumentar o fluxo do seu comércio internacional e sua inserção nas cadeias produtivas globais. O que se discute, como sempre, é maneira de realizar essa operação.

Deveríamos voltar ao modelo do governo Collor, que foi o maior movimento de abertura que tivemos? O gráfico acima mostra o que aconteceu.

Na época, aumentou-se as importações de bens intermediários (exatamente o que a nossa indústria fazia), que acabaram substituindo os produtos locais. A importação não trouxe a esperada competitividade e piorou a relação de trocas.

Pode-se argumentar: “Mas foi o problema do câmbio supervalorizado.”. De fato, um real forte ajudou a piorar as coisas. Mas agora temos o oposto: um câmbio deveras depreciado, sem que as exportações de produtos industriais tenham decolado. Pelo contrário, a situação piorou. O volume de importações cresceu 33%, entre 2008 e 2021 (últimos 12 meses até agosto), e as exportações se mantiveram constantes no mesmo período: – 0,3%. Em outras palavras, vivemos um processo de desindustrialização. Os produtores nacionais estão substituindo produtos brasileiros por importados.

Tudo leva a crer que uma abertura pura e simples da economia não vai fazer os industriais “saírem da Netflix e irem à academia”, como disse o ministro Guedes. Competitividade industrial é um assunto complexo, que não se resolve com frases de efeito.

Candidatos ao Alvorada, portanto, precisam apresentar uma proposta concreta sobre o tema.

3) Austeridade e rigor fiscal

Não tem um assunto mais em voga desde a proposta de contabilidade criativa do governo Bolsonaro para o “aumento” do Teto dos Gastos. Aqui, de novo, dez entre nove comentaristas defendem a austeridade fiscal. Se não for assim, o dólar vai para o espaço e os capitais fogem.

Um contraponto pode ser o que aconteceu em 2020. Nunca o governo gastou tanto, nunca o déficit público foi tão grande e nunca a Selic esteve tão baixa —vale dizer, o “mercado” continuou apostando nos títulos públicos mesmo numa situação assim.

À direita e à esquerda todos defendem que o governo “gaste bem”. Só que, por causa do Teto dos Gastos (uma boa ideia pessimamente implementada) e por causa da relação do orçamento público com o Parlamento, o governo perdeu completamente a capacidade de fazer políticas anticíclicas. Não apenas isso, mas também a qualidade do gasto público diminuiu. Basta lembrar das famigeradas “emendas do relator”.

Duas questões fundamentais estarão no colo do próximo governo: o financiamento da saúde e a questão da transição para uma economia mais verde. Para ambos é necessário investimento público.

Fuja, portanto, de pretendentes que não apresentem uma proposta factível e de longo prazo para tais questões.

4) Tributação

Eis outro consenso. Todos acham o nosso arcabouço tributário ruim. Fala-se em reforma tributária há 20 anos. De fato, nossa tributação é bizantina, regressiva e atravanca a economia. A grande questão é: como colocar o guizo no gato.

Existem duas propostas: a PEC 110 e a PEC 45, ambas exaustivamente debatidas. O que o candidato irá fazer com elas? Vai aumentar a tributação? Por quê? O Brasil arrecada muito?

Não conheço setor que defenda aumento da tributação. Pelo contrário, todos pregam desoneração – para crescer, para exportar, para criar empregos. Mas, mesmo que uma reforma seja neutra, alíquotas serão modificadas. É disso que se trata.

Nesse caso, quem vai perder e quem vai ganhar? Como o candidato pretende reunir as forças pró-mudança e mitigar a oposição para avançar a sua proposta?

Cuidado com o que você pede…

Juro baixo, taxa de câmbio competitiva e uma consolidação fiscal “amigável ao investimento” é o objetivo defendido pelo setor industrial. Da mesma forma, a redução da relação dívida/PIB e o alongamento da dívida pública — para promover intensa desoneração dos investimentos e da produção — é a Canaã de todo sindicato patronal. Neoliberalismo puro.

Essa é, em resumo, a fala de Márcio Holland, secretário da Política Econômica de Dilma Rousseff, em dezembro de 2011 quando, pela primeira vez, se falou em “Nova Matriz Macroeconômica”.

Quero deixar claro que a gestão da política econômica é importante e nem todo posicionamento econômico é como pensamos. O governo Dilma foi o que mais promoveu desonerações em favor da indústria. O professor Denis Rosenfield escreveu que “A social-democracia empreendeu, no poder, medidas de cunho liberal, enquanto os “liberais” atuais estão se mostrando discípulos dos petistas.”

Fico por aqui. 

Acho que este teaser é suficiente para se concluir que o casamento é ainda nebuloso. É preciso ter em mente que nos encontramos congelados numa visão única da economia — uma visão neoliberal dos anos 1980, a preferida “da Faria Lima”.

Menos Brasília e mais Brasil não está (e nem vai) nos tirar da “armadilha da renda média” em que nos encontramos. Lembro, para os gostam de falar “façam-se as reformas e tudo vai se acertar”, que já passamos por duas delas, a da Previdência e a Trabalhista, além de algumas importantes concessões, como a do saneamento, e nada aconteceu. O Brasil permaneceu estagnado entre 2017 e 2019 e, depois do choque da Covid, voltará à estagnação em 2022.

Quando somente o mercado financeiro fala, não há debate econômico. Desregulamentação, abertura, flexibilização, diminuição do papel do Estado, são medidas insuficientes para o país enfrentar os novos tempos. Não nos enganemos: ao mercado financeiro importa uma coisa: que o governo pague (e bem) a remuneração pelos seus títulos de dívida. Quanto à indústria…ora a indústria…

Outro dia, recebi pelo Twitter: “Se você trocar Brasil por Suécia, tudo o que Paulo Guedes fala faz sentido.” Concordo.

A ausência da discussão econômica nos condena ao presente. O momento do debate é agora. Do contrário, o caminho do altar em janeiro de 2023 corre o risco de se transformar num frustrante funeral.

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Appian vende empresas brasileiras, Atlantic Nickel e Mineração Vale Verde, para a Sibanye-Stillwater por um bilhão de dólares e royalties adicionais https://fioito.com.br/appian-vende-empresas-brasileiras-atlantic-nickel-e-mineracao-vale-verde-para-a-sibanye-stillwater-por-um-bilhao-de-dolares-e-royalties-adicionais/ Tue, 26 Oct 2021 18:16:16 +0000 https://fioito.com.br/?p=7480 Fonte: A Tarde _ Economia

Data: 26/10/2021 (leia na íntegra)

A Appian faz acordo de venda de suas empresas de propriedade integral Atlantic Nickel e Mineração Vale Verde para a Sibanye-Stillwater por:- Um bilhão de dólares em dinheiro e;- Um royalty adicional de 5,0% NSR (retorno de fundição líquida) sobre a produção da expansão subterrânea da Atlantic Nickel A transação demonstra a capacidade da Appian de identificar e concretizar as oportunidades para criação de valor no setor de mineração, geração de retornos extraordinários para seus investidores- Em 2018, a Appian adquiriu a Atlantic Nickel, em falência, por 68 milhões de dólares e a Mineração Vale Verde por 40 milhões de dólares- Desde então, a Atlantic Nickel, conduziu um reinício bem-sucedido das operações, obteve resultados positivos de desempenho de custo no primeiro quartil C1, e definiu um recurso subterrâneo que amplia a vida da mina para 35 anos – A Mineração Vale Verde desde então revisou seu estudo de viabilidade definitivo (DFS) e concluiu a construção e comissionamento de projetos antes do prazo previsto e dentro do orçamento e agora está aumentando as operações A Appian tem a satisfação de constatar a aquisição de seus ativos pela Sibanye-Stillwater, uma empresa conhecida por sua visão estratégica, excelência operacional e gestão responsável A transação marca a conclusão bem-sucedida para um processo dual-track altamente competitivo com interesse mútuo A transação também representa a 4ª e a 5ª saídas da Appian, ou intenções para sair, este ano- Segue a aquisição da Roxgold por 1,1 bilhão de dólares da Fortuna Silver; venda dos interesses de royalties da Appian sobre a mina de cobre da Caserones para a Nomad Royalty Company por 23 milhões de dólares à vista; e a venda dos royalties da Peak Resources de volta à empresa A Appian manterá a exposição contínua de investimentos ao potencial de alta de ambos os ativos, por meio de:- Um royalty NSR de 2,75% na Atlantic Nickel, que aumentará para 7,75% para metal a pagar produzido após a conclusão da Reserva de cava aberta de mineração;- Um stream (acordo de venda antecipada) de 35% sobre receitas brutas de ouro na Mineração Vale Verde e;- A posse de 100% da pós-aquisição da propriedade de exploração de ouro Pereiro Velho O portfólio da Appian permanece bem posicionado para o crescimento com exposição às principais commodities de descarbonizaçãoA Appian Capital Advisory LLP (“Appian” ou a “Empresa”), consultor de investimentos de valor de longo prazo concentrou fundos de capital privado que investem exclusivamente em empresas de mineração e relacionadas à mineração, anuncia a venda de suas empresas brasileiras de portfólio focado em metais para baterias Atlantic Nickel (“Atlantic Nickel”) e Mineração Vale Verde (“MVV”) (em conjunto os “Ativos”) para a Sibanye-Stillwater (“Sibanye”) para uma consideração à vista de um bilhão de dólares (a “Transação”) e um royalty NSR adicional de 5,0% sobre a produção da expansão subterrânea de Santa Rita.

A Appian adquiriu a Atlantic Nickel (anteriormente Mirabela Nickel), proprietária da Santa Rita, uma das maiores minas de sulfeto de níquel de cava aberta do mundo, localizada na Bahia, no Brasil (“Santa Rita”), em falência, em 2018. No mesmo ano, também adquiriu a MVV, proprietária do ativo projeto novo de cobre e ouro de cava aberta Serrote, localizado em Alagoas, no Brasil (“Serrote”). A transação reflete o progresso da empresa no sucesso em redução de riscos e melhoria dos ativos, demonstrando a força do modelo Appian e a capacidade da empresa de identificar, adquirir e otimizar projetos de mineração subvalorizados usando arbitragem técnica, criando valor significativo para seus investidores.

A reinicialização bem-sucedida da Atlantic Nickel e do comissionamento da MVV, combinada com o suporte de mercados de metais de base sólidos, em particular níquel e cobre para veículos elétricos e descarbonização, oferece um tempo lógico para a Appian sair dos ativos. A empresa considerou uma variedade de opções, incluindo listagem de ativos, e a transação segue um processo dual-track competitivo em vários estágios com interesse de um grande número de grupos em todo o mundo que buscam obter exposição aos metais de descarbonização. A Sibanye foi selecionada pela força de sua oferta e foco em ESG, com base em seu alinhamento com os valores e compromisso da Appian com a gestão responsável contínua dos ativos. Toda a força de trabalho da Atlantic Nickel e da MVV, que a Appian aumentou de cerca de 50 para 3.387 funcionários, será transferida para a Sibanye.

A Citi e a Standard Chartered atuaram como consultores financeiros de fusões e aquisições para a Appian na transação, com a McCarthy Tetrault como consultores jurídicos e a Ernst & Young como consultor fiscal, com a BMO e o RBC atuando como consultores financeiros em torno das opções de mercados de capital próprio.

Michael W. Scherb, fundador e CEO da Appian, comentou:”Essas saídas, a quarta e a quinta da Appian este ano, destacam ainda mais a força de nosso modelo operacional único, com nossa capacidade de identificar, adquirir e desenvolver projetos de forma eficaz. A Sibanye será uma grande guardiã para esta base de ativos, e com nossa exposição contínua estou confiante de que a Atlantic Nickel e a MVV continuarão a oferecer valor de longo prazo, bem como a cuidar de suas comunidades locais e partes interessadas. A transação também destaca a forte e crescente demanda por commodities de descarbonização. O portfólio da Appian está idealmente posicionado para sua próxima fase de crescimento com um importante foco nos metais que impulsionam a transição global crítica de energia.”

Exposição contínua da Appian aos ativos

Nos termos da Transação, a empresa manterá uma exposição significativa aos Ativos com um royalty de 2,75% sobre a cava aberta e um royalty de 7,75% sobre os recursos subterrâneos da produção da mina de Santa Rita da Atlantic Nickel e propriedades de exploração retida pela Atlantic Nickel, e um stream (acordo de venda antecipada) de 35% sobre receita bruta a pagar do ouro bruto das propriedades de exploração e mina Serrote da MVV.

A Appian está considerando alternativas estratégicas para seu portfólio de royalties.

A Appian também manterá o projeto de extração de ouro Pereira Velho, que será lançado a partir da MVV. Pereira Velho é um projeto de exploração de ouro altamente prospectivo localizado a 20 km a leste da mina de Serrote, composto por uma anomalia de ouro em solo de 1.500 metros e mineralização de ouro realizada em veios de quartzo-sulfeto. As atividades de exploração até o momento, incluindo uma campanha de perfuração contínua, renderam resultados promissores, incluindo interceptações de trincheira de 22m @ 1,05 g/t de ouro e 74m @ 0,63 g/t de ouro, bem como ouro visível em amostras de perfuração.

Aquisição e otimização da Atlantic Nickel

A Appian adquiriu a Atlantic Nickel de um processo complexo falido de 68 milhões de dólares em 2018, após identificar a oportunidade de implementar uma abordagem operacional diferencial para reiniciar a mina em uma posição de custo de primeiro quartil e se beneficiar de mais de um bilhão de dólares do capital anteriormente aplicado.

Em seguida, a empresa realizou um grande trabalho para melhorar e otimizar Santa Rita, desenvolvendo um plano de mineração redefinido com uma razão de decapeamento mais baixa e uma mineração mais seletiva, com reinicialização bem-sucedida em janeiro de 2020 e subsequente aceleração. A Appian desarriscou o ativo com uma estratégia operacional defensiva e definição de extensão subterrânea, impulsionando a criação de valor com uma posição de custo de primeiro quartil (custo C1 de USD 2,97/lb Ni a pagar desde a reinicialização do preço da níquel de USD 9,03/lb na data do anúncio).

A empresa tem aumentado significativamente os recursos em Santa Rita desde 2018 por meio de preenchimento sistemático e perfuração de expansão das áreas de cava aberta e de recursos subterrâneos. Desde a aquisição, a Appian tem sido capaz de estender a vida da mina de 27 anos para 35 anos no total, definindo um recurso subterrâneo de 202Mt total MI&I em 0,60% NiS, 0,19% Cu e 0,01% Co mais PGEs+Au.

Desde a reinicialização, a Appian ampliou a equipe da Atlantic Nickel de 40 a 2.527 funcionários, oferecendo empregos e benefícios locais significativos. Ao longo desse tempo, a Atlantic Nickel produziu 156 KT de concentrado de níquel contendo 21 KT de níquel, com 15 remessas de concentrado in-spec, enquanto o ativo gerou receita bruta de 286 milhões de dólares, com EBITDA de 118 milhões de dólares.

Aquisição e otimização da MVV

A empresa adquiriu a MVV da Aura Minerals por uma consideração total de 40 milhões de dólares em 2018, consistindo em um pagamento à vista de 30 milhões de dólares e um empréstimo de fornecedor subordinado de 10 milhões de dólares. A Appian identificou a Serrote como um projeto raro de cobre, pronto para construção, com créditos significativos de subprodutos preciosos de metal que poderiam se beneficiar da estratégia de arbitragem técnica da Appian.

A Appian iniciou um extenso trabalho técnico para otimizar o plano de mineração da Serrote em preparação para a construção, resultando em um estudo de viabilidade definitiva atualizado (“DFSU”) que maximizou a eficiência e o perfil econômico do ativo. O plano de mineração de 14 anos e 4,1Mtpa da Appian validou o potencial de retornos aprimorados a partir de uma operação de menor escala, custo mais baixo, mais eficiente, com maior grau e razão de decapeamento mais baixa, ao mesmo tempo em que mantém a opcionalidade de expansão de médio prazo. A cava inicial de reserva de 50,4Mt baseia-se em um subconjunto dos recursos definidos com base em um preço defensivo de cobre de USD 2,70/lb, e existe mais potencial para estender a vida útil da mina e da produção de cobre dos 112Mt dos recursos de MI&I definidos.

A Appian desbloqueou valor significativo para os investidores, trazendo a Serrote à produção em maio de 2021 dentro do orçamento e antes do previsto, com 195 milhões de dólares gastos comparado com um orçamento inicial de 243 milhões de dólares. O desenvolvimento operacional e o crescimento da equipe de 10 para 860 funcionários, proporcionaram empregos significativos e desenvolvimento econômico para a comunidade local. A mina está prevista para operar com uma posição de custo C1 de segundo quartil defensivo de USD 1,11/lb de Cu líquido a pagar de subprodutos. A construção foi totalmente financiada pela Appian juntamente com uma instalação de financiamento de projetos de 140 milhões de dólares da Société Générale, ING e Natixis. Os termos de aceitação atraentes também foram garantidos para o concentrado de cobre-ouro de alta qualidade da Serrote, sendo a primeira remessa esperada antes do final do ano.

O programa de exploração da MVV continua a provar o potencial lateral regional mais amplo, identificando metas adicionais que poderiam ser trazidas para o plano de mineração da Serrote no longo prazo.

O impacto da Appian Way Charitable Foundation nas comunidades locais brasileiras

A fundação filantrópica da Appian desempenhou um papel fundamental no aprimoramento do engajamento social e comunitário, e estima-se que 37 mil pessoas tenham sido beneficiadas diretamente pelos programas da fundação nos três anos anteriores. Esperamos que a Sibanye continue uma abordagem semelhante. Para 2021, os administradores da AWCF aprovaram um orçamento social e comunitário combinado de 2,25 dólares para as operações da Appian no Brasil. Esse orçamento está sendo utilizado para apoiar iniciativas sociais nas comunidades locais, bem como medidas ambientais. Parte substancial do orçamento é dedicada à iniciativa de treinamento de professores STEAM que a AWCF está cooperando com a “Educando e a UNEAL”, dois programas locais de treinamento de professores.

Perspectiva e foco estratégico

A Appian continuará a aprimorar seu modelo operacional único e focará em commodities de transição de energia usadas em baterias, veículos elétricos e sistemas de energia renovável, incluindo cobre e níquel, com 70% do fundo I e 50% do fundo II (até o momento) investidos neste setor crítico, equilibrados por investimentos em metais preciosos e outras commodities.

Sobre a Appian Capital Advisory LLPA Appian Capital Advisory LLP é uma consultora de investimentos de fundos de capital privado focado em valor de longo prazo que investe exclusivamente em empresas de mineração e relacionadas à mineração.

Com um portfólio operacional global e quase cinco mil funcionários, a Appian é uma consultora líder de investimentos no setor de metais e mineração, com experiência global em toda a América do Sul, América do Norte, Austrália e África e um histórico de sucesso no apoio a empresas para que atinjam suas metas de desenvolvimento.

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Mineradora deve investir R$ 1,2 bi em estrutura ferroviária https://fioito.com.br/mineradora-deve-investir-r-12-bi-em-estrutura-ferroviaria/ Fri, 22 Oct 2021 17:50:17 +0000 https://fioito.com.br/?p=7477 Brazil Iron solicita ao governo federal autorização para construir 120 quilômetros de ferrovia e um terminal
Fonte: Correio   |   Por: Donaldson Gomes
Data: 19/10/2021 (leia na íntegra)

A Brazil Iron Mineração Ltda, que possui um projeto de mineração de ferro em Piatã e em Abaíra, na Chapada Diamantina,  solicitou permissão ao Ministério da Infraestrutura (Minfra) para implantar uma ferrovia e um terminal ferroviário privado. É o primeiro pedido de um empreendimento localizado na Bahia, com base no novo instrumento de autorização ferroviária. O projeto prevê 120 quilômetros de trilhos, com conexão à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e futuramente à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

A companhia se propõe a investir R$ 1,2 bilhão na construção de 120 quilômetros de novos trilhos e a implantação do terminal. O projeto será desenvolvido em três etapas. Inicialmente, a empresa quer executar um segmento de 70 quilômetros, entre os municípios de Abaíra, local do terminal ferroviário que pretende estruturar, e Brumado. O trecho conectará a mina Mocó, em Piatã (BA), e outros direitos minerários que a empresa possui no estado, ao entroncamento com a Fiol, próximo a Brumado.

A segunda etapa contempla o carregamento na região da mina, incluindo acesso às áreas de estocagem de minério e suas estações de carregamento, em percurso estimado em 50 quilômetros. Por fim, o projeto da Brazil Iron inclui estudos técnicos em andamento para que a empresa amplie os trilhos e conecte suas minas também à FCA.

A Brazil Iron foi, portanto, a primeira companhia com atuação no estado a perceber o potencial de distribuição de sua produção se investir em trecho ferroviário próprio que se conecte às ferrovias federais já outorgadas ou em implantação.

O pedido da mineradora é analisado com mais 20 requerimentos de entes privados interessados em construir e operar segmentos ferroviários próprios. Todos são avaliados pela equipe da Secretaria Nacional de Transportes Terrestres (SNTT), sendo que 14 já passam por análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) quanto à viabilidade locacional.

O Marco Legal das Ferrovias, criado pela Medida Provisória 1.065/2021, também avança no Congresso Nacional, após a aprovação pelo Senado Federal do PLS 261/18. O texto agora será analisado pela Câmara dos Deputados. Caso aprovado sem mudanças pelos deputados, a tramitação se conclui e o projeto será sancionado pelo presidente da República, virando lei.

Potencial

De acordo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o volume de investimentos viabilizados a partir do novo marco das ferrovias, que permite a liberação de autorizações de investimentos já superou as expectativas iniciais.

“São 21 pedidos e mais de R$ 80 bilhões em investimentos pleiteados. Estamos percebendo uma quantidade enorme de investimentos que estavam lá, represados, por ausência de uma regulação do Estado”, avalia. “Nesse primeiro momento isso tem se refletido principalmente nos setores mineral e de celulose, que estão buscando ganhos de eficiência verticalizando parte de sua logística”, explica.

Para ele, os novos investimentos ferroviários devem trazer grandes benefícios para a Bahia. “Com o início da operação da FIOL e renovação da FCA há uma série de projetos que se tornam viáveis, seja na extensão de uma linha para captação de cargas, seja na ligação de uma planta industrial ao tronco principal das linhas concedidas”, destaca.

“Em pouco tempo, vamos observar também oportunidades de requalificação da atual malha ferroviária e isso poderá ser visto na captação de cargas do interior baiano rumo ao Porto de Aratu. Já existem conversas nesse sentido”, adianta.

Brazil Iron

Atualmente, a Brazil Iron está em fase de pesquisa, com limite máximo de extração em caráter experimental de50 mil toneladas por mês de minério de ferro (granulado e sinter feed), em média, destinadas ao mercado interno e externo.

“Este projeto representa um novo estágio para a produção de minério na Bahia sob todos os aspectos: seja na questão de extração, logística, peletização (agregar valor à matéria-prima), mas, principalmente, do ponto de vista de sustentabilidade e impacto econômico para o estado”, explicou Guy Saxton, CEO da Brazil Iron.

Com a nova interligação, a companhia britânica estima elevar a produtividade anual para cerca de 10 milhões de toneladas, gerando mais de 25 mil novos empregos para o estado baiano. Estudos preliminares estimam que as reservas da empresa estejam em torno de aproximadamente 700 milhões de toneladas de minério de ferro.

A Brazil Iron é uma empresa de capital fechado, com sede no Reino Unido. No Brasil, está em operação desde 2011, com 24 processos de mineração de ferro e manganês. A produção foi suspensa em 2014 para permitir a realização de estudos e pesquisas com o objetivo de ampliar a capacidade da mina. No quarto trimestre de 2019, a mineradora voltou a funcionar com extração na mina Mocó mediante Guia de Utilização para Mineração Experimental, expedida pela Agência Nacional de Mineração (ANM), e por duas autorizações ambientais do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

Emprego e renda 

A exploração do minério de ferro tem gerado emprego e renda para a região. Atualmente, a mineradora emprega cerca de 400 trabalhadores, dos quais 80% são naturais dos municípios de Piatã e Abaíra. Além disso, mais de 2000 empregos indiretos estão sendo gerados pela operação da companhia. Segundo os dados de agosto do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a mineração na Bahia mantém mais de 16 mil empregos diretos. Só nos últimos 12 meses, foi um saldo de 1413 novos empregos formais, sendo que Piatã ficou em terceiro lugar em geração de emprego no setor com um saldo de 153 contratações no período.

De 2019 a 2020, a companhia gerou para os municípios a receita de R$20 milhões, por meio do pagamento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), royalties pagos pela atividade.

Requerimentos de autorizações apresentados até aqui:

  1. Petrocity: São Mateus/ES – Ipatinga/MG: 420 km de extensão
  2. VLI: Lucas do Rio Verde/MT – Água Boa/MT: 557 km de extensão
  3. VLI: Uberlândia/MG – Chaveslândia/MG: 235 km de extensão
  4. VLI: Porto Franco – Balsas/MA: 245 km de extensão
  5. VLI: Cubatão/SP-Santos/SP: 8 km de extensão
  6. Ferroeste: Maracaju/MS – Dourados/MS: 76 km de extensão
  7. Ferroeste: Guarapuava/PR – Paranaguá/PR: 405 km de extensão
  8. Ferroeste: Cascavel/PR – Foz do Iguaçu/PR: 166 km de extensão
  9. Ferroeste: Cascavel/PR a Chapecó /SC: 286 km de extensão
  10. Grão Pará: Alcântara/MA – Açailândia/MA: 520 km de extensão
  11. Planalto Piauí Participações: Suape/PE – Curral Novo/PI: 717 km de extensão
  12. Fazenda Campo Grande: Santo André/SP: 7 km de extensão
  13. Macro Desenvolvimento Ltda.: Presidente Kennedy/ES – Conceição do Mato Dentro/MG –Sete Lagoas/MG: 610 km de extensão
  14. Petrocity: Barra de São Francisco/ES – Brasília (DF): 1.108 km de extensão
  15. Rumo: Santos – Cubatão – Guarujá/SP – 37 km
  16. Rumo: Água Boa – Lucas do Rio Verde/MT: 557 km de extensão
  17. Rumo: Uberlândia/MG – Chaveslândia/MG: 235 km de extensão
  18. Bracell: Lençóis Paulistas (SP): 4 km de extensão
  19. Bracell: Lençóis Paulistas-Pederneiras (SP): 19,5 km de extensão
  20. Morro do Pilar Minerais S.A: Coletina – Linhares (ES): 100 km de extensão
  21. Brazil Iron Mineração Ltda: Abaíra – Brumado/BA – Fiol – FCA: 120 km de extensão
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Cadence Minerals pode avançar no Projeto Amapá https://fioito.com.br/cadence-minerals-pode-avancar-no-projeto-amapa/ Tue, 19 Oct 2021 13:38:20 +0000 https://fioito.com.br/?p=7471 Fonte: Brasil Mineral   |   Data: 14/10/2021 (leia na íntegra)

A Cadence Minerals anunciou que credores bancários garantidos obtiveram a aprovação de seus comitês de crédito com relação aos termos propostos do acordo de liquidação. A aprovação do comitê de crédito para os credores bancários garantidos auxilia na preparação do caminho para a Cadence investir 20% no Projeto de Minério de Ferro do Amapá. Com isto, a joint venture entre Cadence e Indo Sino controlará 99,9% do Projeto Amapá.

O projeto engloba uma mina integrada, planta de processamento, ferrovia e porto privado. Anteriormente, era propriedade da Anglo American e produzia 6,1 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e estava avaliada em US$ 660 milhões. O Recurso Mineral atual do Projeto Amapá consiste em 176,7 milhões de toneladas com classificação de 39,7% Fe na categoria Indicada e 8,7 Mt a 36,9% Fe na categoria Inferido.

Enquanto se aguardava a aprovação do comitê de crédito, a elaboração dos documentos finais de liquidação continuava em andamento. O presidente não executivo da Cadence, Andrew Suckling, disse que antigamente não se via a interrupção de um projeto com esse tipo de potencial. “O anúncio de hoje é um marco para o Amapá, tanto em termos de certeza para os funcionários da DEV, a comunidade em geral do estado e para os acionistas da Cadence. Sei o quanto a equipe local trabalhou para que isso acontecesse e, em nome de nosso conselho, gostaria de expressar nossos agradecimentos e gratidão à DEV, o Governo do Amapá, a equipe de funcionários do governo local e comitês e administradores de bancos por contribuir para este passo importante em nossa história”.

O CEO da Cadence, Kiran Morzaria, comentou: “Depois de um processo longo e demorado, estou muito feliz em poder anunciar que agora recebemos a aprovação do Comitê de Crédito para que os credores bancários garantidos assinem o Acordo de Liquidação. A Cadence pode, então, adquirir 20% iniciais e, eventualmente, mais 7%, o que em termos práticos significa que temos um caminho e um processo claros para obter o projeto Amapá recomissionado, licenciado e de volta à produção”.

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A nova visão para as ações da Vale após a derrocada do minério. https://fioito.com.br/a-nova-visao-para-as-acoes-da-vale-apos-a-derrocada-do-minerio/ Tue, 28 Sep 2021 18:25:17 +0000 https://fioito.com.br/?p=7466 Desaceleração da demanda na China fez as ações da mineradora despencarem 20% entre agosto e setembro

Fonte: E-INVESTIDOReinvestidor@estadao.com

Depois de recordes de alta em maio, com a tonelada  do minério de ferro custando US$ 220, o tombo veio e chacoalhou a Bolsa de Valores brasileira. Na última semana, bancos internacionais como BofA, HSBC e UBS rebaixaram as ações da Vale (VALE3-4,10%) de compra para venda ou neutro, de olho nas quedas expressivas nos preços do minério de ferro negociado em Qingdao, na China. Somente entre agosto e setembro, a commodity cedeu 34,7%, passando de US$ 181,2 para os atuais US$ 118,3.

No mesmo período, os papéis da companhia minguaram 21,27%, saindo dos R$ 98,6 e atingindo o patamar de R$ 77,6 nas mínimas do ano, segundo dados da Economatica Brasil. Para o investidor que viu as ações deslancharem no final do ano passado, com mais de 50% de valorização acumulada no quarto trimestre de 2020, a correção robusta em poucos dias foi uma surpresa desagradável.

O motivo das quedas também passou a preocupar: em uma tentativa de controlar a inflação e diminuir o impacto ambiental do aço, o governo chinês impôs sérias restrições à produção do metal no país. Medidas como o fechamento de plantas de produção e tarifas sobre a exportação de aço resultaram na diminuição brusca de demanda pelo minério de ferro, insumo usado para fabricar o metal.

É importante lembrar que a China é atualmente um dos maiores importadores de minério e exportadores de aço do mundo, com poder de influenciar nos preços. Paralelamente, uma crise na segunda maior incorporadora imobiliária chinesa, a Evergrande, despertou desconfianças quanto à perpetuidade do modelo de crescimento econômico promovido pela gigante asiática.

Durante décadas, o investimento no mercado imobiliário foi um dos principais motores do crescimento chinês e alimentou a demanda pelo minério de ferro, usado em projetos de infraestrutura. Para acelerar a retomada econômica pós-covid, a estratégia não foi diferente. Contudo, a alta alavancagem da incorporadora, que acumula dívidas de US$ 300 bilhões, acendeu o sinal amarelo sobre uma possível bolha imobiliária se formando na China e fez o mercado temer um novo case  ‘Lehman Brothers’.

Com a possível crise na construção civil chinesa, a tendência é que a demanda por minério de ferro desacelere. Nesse contexto, o desempenho dos papéis da Vale podem ser estruturalmente afetados.

China versus Vale

Para Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos, apesar da empresa possuir um bom desempenho nas finanças internas e gestão corporativa, a influência do cenário macro, especialmente analisando a economia chinesa, pode ser um impasse.

“Temos que separar a parte micro da parte macro. Não temos a menor dúvida quanto à parte financeira da Vale. E o maior expoente disso são os fortes dividendos divulgados nas últimas semanas, perto da casa de dois dígitos ao ano. Isso mostra como a companhia tem sido rentável e gerando um fluxo de caixa espetacular ao longo desse último ano. Na parte financeira, a mineradora soube fazer o seu dever de casa”, afirma Arbetman.

No dia 16 de setembro, a companhia anunciou o pagamento de R$ 8,10 em dividendos, um patamar considerado  elevado. Na última quarta-feira (22), entretanto, a mineradora informou o reajuste do pagamento dos proventos para R$ 8,19, em função da alteração do número de ações da companhia em circulação. Os acionistas devem receber a remuneração nesta quinta-feira (30).

“O valor ora distribuído foi apurado com base no balanço levantado em 30 de junho de 2021 e refere-se à antecipação da destinação do resultado do exercício de 2021 “, explicou a Vale, em comunicado ao mercado.

Mas o histórico de boa pagadora de dividendos não ameniza as preocupações em torno da desaceleração da China. “Mais de 50% da receita do segundo trimestre da Vale veio diretamente da China, ou seja, é muito difícil separar o desempenho do papel na B3, da performance econômica do país asiático”, destaca Arbetman.

O analista aponta ainda que a influência da agenda verde na China, que prevê o fim da emissão de carbono até 2060, deve resultar em uma maior interferência das autoridades do país nas empresas de mineração, segmento responsável por cerca de 20% das emissões do gás poluidor.

Para Rodrigo Barros, chefe de análise da Âmago Capital, a crise no setor de construção civil da China, por conta do possível default (calote) da Evergrande, eleva a preocupação sobre um possível ‘contágio’ da empresa brasileira.

“O governo chinês não vai deixar o setor puxar para baixo e, mesmo que a demanda caia, pode ser que a diminuição seja leve no ano que vem. Entretanto, o ciclo de construção é de três a quatro anos. Ou seja, para os próximos anos, a demanda por minério e a produção de aço devem continuar no patamar próximo ao atual”, avalia Barros.

Nicolas Merola, analista CNPI de ações e fundos da Inversa, avalia que, caso os estoques chineses de minério cheguem em níveis muito baixos, por conta da interferência do governo chinês, a cotação da commodity pode ir para patamares mais próximos de US$ 130 por tonelada – o que manteria a competitividade da Vale.

Diferentes perspectivas

Se a correlação entre Vale e China é inquestionável, as visões sobre a extensão dos efeitos de uma desaceleração da economia chinesa nas ações são divergentes. O analista Regis Chinchila, da Terra Investimentos, aponta que o cenário de crescimento do país asiático, estimulado pelo crédito, deve ser retomado. Por isso, mantém recomendação da VALE3.

“Respaldado ainda com uma expectativa de forte geração de caixa com demanda de metais nos países desenvolvidos e resultados sólidos com a ajuda de volumes fortes de vendas”, afirma. Para Chinchila, outro fator que influencia positivamente na exportadora é a variação cambial.

Já para Roberto Nemr, analista da Ohmresearch, a certeza é que dificilmente os investidores verão outro ‘boom’ nos papéis como ocorreu na virada de 2020 e 2021. O crescimento deve ser mantido no longo prazo, mas de forma consideravelmente mais lenta.

“É um bom investimento para quem quer receber dividendos regulares, mas não para quem quer um crescimento extraordinário de capital. Para esses, a indicação é buscar setores mais atrativos”, afirma Nemr. “Não imagino um crescimento exagerado no preço porque a China vai contribuir um pouco menos resto do mundo pode contribuir um pouco mais com a demanda, o que vai manter a produção crescendo.”

A Ágora Investimentos também mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 133 ao final de 2022, em um salto de 70% em relação ao patamar atual. A casa estima que mesmo se o minério de ferro caísse para US$ 90 em 2022, a Vale ainda geraria cerca de US$ 20 bilhões em EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e US$ 7 bilhões em fluxo de caixa livre. No ano passado, a mineradora reportou um EBITDA de US$ 16,6 bilhões.

“Por enquanto, não esperamos uma queda relevante na demanda por aço (o governo chinês deve intervir, especialmente considerando que 2022 é um ano importante para o presidente Xi Jinping quer consolidar o poder durante o 20º Congresso Nacional do Partido no final de 2022) e mantemos nosso caso base de queda de 1% na produção de aço na China em 2022, o que ainda implicaria em fundamentos do mercado de minério de ferro saudáveis, com preços oscilando em torno de US$ 100-120 por tonelada”, afirmou a corretora em relatório divulgado aos clientes na segunda-feira (20).

Arbetman, da Ativa, por sua vez, reforça que a casa mudou a recomendação de compra para neutra há cerca de um mês, já antecipando as quedas do minério de ferro e os efeitos nos papéis da Vale. “Percebemos uma dinâmica assimétrica por parte do mercado de siderurgia e mineração, especialmente na China”, afirma. “Esperávamos um impacto nesse cenário, mas não da forma que foi. Se tivéssemos previsto, posteriormente podíamos ter alterado de compra para venda, com o objetivo de capturar essa queda forte.”

No curto prazo, permanecem as incertezas macroeconômicas em relação à atuação do Governo Xi Jinping. “Essa questão da Evergrande trouxe dúvidas muito grandes sobre a reação da China. Tememos que isso, mesmo que de forma paralela, afete o mercado de crédito local, que é fundamental para investimentos e para os principais setores demandantes de minério, como infraestrutura e logística”, afirma Arbetman.

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Três municípios concentram 51% da produção mineral baiana comercializada https://fioito.com.br/tres-municipios-concentram-51-da-producao-mineral-baiana-comercializada/ Sat, 18 Sep 2021 21:42:00 +0000 https://fioito.com.br/?p=7449 Fonte: Bahia de Valor   |   Por: Redação

Data: 16/09/2021 (leia na íntegra)

Caetité (18%), Jacobina (17%) e Itagibá (16%). Essas três cidades responderam por 51% da produção mineral baiana comercializada em agosto. A variação em relação ao mesmo mês de 2020 foi de 58%, saindo de R$ 566 milhões para R$ 895 milhões, as informações constam no Sumário Mineral de setembro, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).

Além desses três municípios, destaque também para Jaguarari, Sento Sé, Piatã, Barrocas, Andorinha, Juazeiro e Brumado. Atualmente gerando 13.467 empregos diretos no estado, o setor de mineração está em franca expansão mesmo com a crise econômica, só para se ter uma ideia, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), ainda em agosto, já registrou uma arrecadação de R$ 91,6 milhões na Bahia. O número ultrapassa o valor de R$ 57 milhões, representando um crescimento de 60% em relação ao mesmo período de 2020.

O resultado coloca a Bahia em terceiro lugar no ranking nacional de arrecadação de CFEM, atrás apenas de Pará e Minas Gerais. A expectativa é que, já em setembro, o valor ultrapasse os R$ 94 milhões arrecadados durante todo o ano de 2020. Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Crescimento

“Atualmente temos o ferro, o ouro e o níquel como os principais bens minerais produzidos na Bahia, e junto a outros completam uma grande variedade que nos anima num crescimento contínuo e sustentável do setor”, avalia o secretário de desenvolvimento econômico, Nelson Leal.

De acordo com ANM, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, somente no mês de agosto 74 alvarás de pesquisa foram protocolados na instituição, assim como 152 requerimentos de pesquisa. Confira as informações completas do Sumário Mineral de setembro, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).

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